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Coluna Web Marketing no site da Internet
Business 26/07/1999 Quando
o Comércio Eletrônico será sucesso no Brasil? Por
Jameson Rangel A questão
do sucesso no Comércio Eletrônico está ligada a diversos fatores. O principal
deles é a questão cultural. Nós não estamos acostumados a fazer compras
diretas, ou seja comprar por catálogo. Se nos compararmos aos EUA ainda
estamos engatinhando nessa forma de comércio. Primeiro
devemos considerar que o Comércio Eletrônico nada mais é do que uma forma
de venda direta. Nos EUA já se realiza esse tipo de venda há mais de 200
anos. Ainda nos tempos das diligências os americanos já compravam e confiavam
nesse tipo de comércio. Já aqui no Brasil, até hoje as grandes empresas
de venda direta, inclusive americanas, não conseguiram obter o mesmo sucesso
nesse formato de vendas que em seu país. Mas por que será? O brasileiro
tem uma característica diferente, ele quer ver o que está comprando, pegar,
sentir, vestir, experimentar. Isso está mudando, mas ainda é um fator
inibidor de vendas diretas. Outra questão é a garantia, tanto de entrega
quanto de possíveis problemas futuros com assistência técnica ou troca
do produto. Só para se ter uma idéia da força desse tipo de comércio, a J.C. Penny,
uma das primeiras empresas norte-americanas de vendas por catálogo, ocupando
hoje a liderança nesse tipo de comércio, anunciou seu catálogo para a
temporada de outono/inverno de 1999 (setembro a março) terá um novo nome:
J.C. Penny Big Book. Os últimos números da empresa (pasmem)
somam 2,3 milhões de pedidos por semana e mais 75 milhões de pedidos
telefônicas por ano, o que gera quase US$ 4 bilhões em vendas. Para atingir
esses números são impressos 17 milhões de cópias do catálogo com 1.400
páginas e 8 mil fotos a cada edição. Entre os produtos comercializados
estão produtos eletrônicos, decoração de interiores, roupas e até utensílios
de cozinha. Os pedidos podem ser feitos pela web, e-mail, telefone, fax,
correio, por meio de linhas diretas instaladas nas lojas de
departamentos da própria loja e ainda por meio de associados de vendas
da empresa. Por trás disso tudo existe uma estrutura logística completa
para atender seus clientes de forma perfeita. Alguns
números de venda direta nos EUA: ·
100
milhões de americanos compram sem sair de casa ·
US$
200 bilhões são gastos em compras por ano ·
US$
15,5 bilhões são gastos em mala direta por ano ·
70%
dos consumidores ligaram para um prefixo 0800 em um ano ·
68%
das assinaturas de revistas são vendidas por correspondência ·
25%
de tudo que é comprado é negociado à distância E
no Brasil? A grande diferença está na qualidade dos serviços em todas
as suas fases: pré-venda, venda, entrega, pós-venda, etc. Primeiro o brasileiro
não acredita que o produto no catálogo corresponde exatamente à sua expectativa.
Além disso não existe uma padronização bem definida (nos casos de roupas,
calçados, etc). Em
1942 a Hermes, que foi a primeira empresa de vendas por catálogos no Brasil,
iniciou suas atividades. Somente a partir de 1991, ela passou a fazer
parte da lista das 500 maiores empresas do Brasil, segundo a Revista Exame.
No início, a variedade dos produtos comercializados pela era bem menor
em comparação aos dias de hoje: relógios, bijuterias e artigos de utilidade
doméstica eram oferecidos através de anúncios em revistas e jornais da
época, além da utilização de mala direta. Atualmente, os catálogos da
empresa oferecem uma grande variedade de produtos, como: acessórios, utilidades
domésticas, confecções masculina, feminina e infantil, linha íntima, calçados,
relógios, jóias, brinquedos, artigos de cama, mesa e banho, cosméticos,
importados e vários outros. São mais de 10 milhões de produtos comercializados
mensalmente. A grande força de vendas da Hermes, na verdade, são as suas
200 mil consultoras espalhadas pelo Brasil. Com mais de cinco milhões
de clientes cadastrados, seu faturamento em 1998 foi de R$ 255 milhões. Agora
vamos comparar um pouco: ·
Enquanto
a J.C. Penny distribui 17 milhões de catálogos por mês, a Hermes distribuiu
em todo o ano passado 20 milhões de catálogos. ·
Somente
a J.C. Penny gera US$ 4 bilhões em vendas anuais enquanto em todo o Brasil
no ano de 1996 foi movimentado R$ 3 bilhões. Nossos números são realmente
grandes, mas sem comparação com os EUA. Portanto,
para sucesso de um site de Comércio Eletrônico, temos que vencer principalmente
essas duas barreiras: a primeira é a cultura de venda por catálogo e a
outra é a cultura da própria Internet. Copyright
© 1999 Jameson Rangel. Todos os direitos reservados. |
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